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Mudanças de humor durante o tratamento com GLP-1: o que é comum e quando conversar com o médico

Muita gente se pergunta se o GLP-1 mexe com a ansiedade e o humor. Entenda o que as agências de saúde concluíram, o que na rotina pode pesar e quais sinais pedem uma conversa com o médico.

Equipe endotrack · · 6 min de leitura

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Caderno aberto com páginas em branco sobre mesa de madeira, ao lado de xícara de chá de camomila, tigela de amoras, pote de mel e vaso com flores do campo.

Algumas pessoas sentem ansiedade, irritação ou tristeza durante o tratamento com GLP-1. Em 2026, a FDA revisou os estudos e não encontrou aumento de risco de pensamentos suicidas com esses remédios. Mesmo assim, o humor merece atenção: se uma mudança é nova, piora ou dura semanas, conte ao seu médico. Você não precisa esperar a próxima consulta.

Em resumo

  • Em 2026, a FDA revisou os dados e não encontrou aumento de risco de pensamentos suicidas com GLP-1, mas pede atenção a mudanças de humor.
  • Sono ruim, açúcar baixo (em quem usa insulina ou sulfonilureia) e excesso de cafeína podem pesar no humor durante a rotina.
  • Tristeza, ansiedade ou irritação que duram semanas, pioram ou atrapalham o dia são assunto para o médico ou um profissional de saúde mental.

O que se sabe sobre GLP-1 e humor

A pergunta é comum, e faz sentido. Durante alguns anos, as bulas americanas de remédios para obesidade, como Wegovy (semaglutida), Saxenda (liraglutida) e Zepbound (tirzepatida), traziam um alerta sobre pensamentos e comportamentos suicidas. Isso deixou muita gente com a pulga atrás da orelha.

Em janeiro de 2024, a FDA, agência que regula remédios nos Estados Unidos, publicou uma avaliação preliminar: não tinha encontrado evidência de que esses medicamentos causem pensamentos ou atos suicidas. Na época, a agência disse que não podia descartar por completo um risco pequeno e que seguiria estudando.

Em janeiro de 2026, veio a conclusão. A FDA analisou estudos clínicos controlados com placebo e grandes bases de dados de uso real, e a avaliação não identificou aumento de risco. Por isso, pediu a retirada do alerta das bulas de Wegovy, Saxenda e Zepbound. As versões desses remédios para diabetes nunca tiveram esse alerta.

As fichas do MedlinePlus (biblioteca de saúde do NIH) sobre semaglutida e tirzepatida também não listam ansiedade ou depressão entre os efeitos colaterais.

O que continua valendo

Não ter aumento de risco nos estudos não quer dizer que o seu humor não importa. A própria FDA mantém a orientação para quem está em tratamento: avise o profissional de saúde se tiver depressão nova ou pior, pensamentos suicidas ou qualquer mudança incomum de humor ou de comportamento.

Ou seja: você não precisa ter medo do remédio por causa disso, e também não precisa engolir sozinho o que está sentindo.

O que na rotina pode mexer com o humor

Nem toda mudança de humor durante o tratamento vem do remédio. A rotina muda bastante, e algumas peças dela pesam na cabeça. Vale olhar para elas com calma.

Sono

Enjoo à noite, azia ao deitar e cansaço podem bagunçar o sono nas primeiras semanas. O MedlinePlus explica que a falta de sono pode afetar o humor, com irritação, ansiedade e até depressão. Se as noites andam difíceis, o guia sobre sono e tratamento com GLP-1 traz hábitos que costumam ajudar.

Açúcar baixo, para quem usa insulina ou sulfonilureia

Segundo o MedlinePlus, quem usa insulina ou remédios que fazem o pâncreas liberar insulina tem risco maior de hipoglicemia (açúcar baixo no sangue). Segundo o MedlinePlus, entre os sintomas estão nervosismo ou ansiedade, irritação ou confusão, tremor, suor, tontura e fome. Eles costumam chegar de repente. Se isso acontece com você, siga o plano combinado com a sua equipe de saúde e conte ao médico.

Cafeína

Com menos fome, é fácil passar o dia à base de café. O MedlinePlus lembra que cafeína, outras substâncias e alguns medicamentos podem piorar os sintomas de ansiedade. Se você anda mais agitado, vale reparar quantas xícaras entram no dia.

Corpo, comida e expectativa

O tratamento mexe com coisas que têm peso emocional: a relação com a comida, o corpo mudando, a expectativa com a balança, os comentários dos outros. Sentir ansiedade antes da pesagem ou frustração numa semana parada é humano. Isso não é fraqueza nem falta de força de vontade.

Esquecer uma aplicação também costuma gerar culpa. Se isso acontece, o texto sobre como retomar a dose esquecida sem culpa ajuda a olhar para o deslize com mais leveza.

Como saber se é passageiro ou se merece atenção

Ficar mais sensível num dia ruim é diferente de um humor que muda por semanas. As definições do MedlinePlus ajudam a separar as duas coisas.

O que você senteCostuma ser passageiro quandoMerece conversa quando
AnsiedadeAparece diante de uma situação de estresse e passaNão vai embora, piora com o tempo ou atrapalha o dia a dia
TristezaDura alguns dias e tem um motivo claroVem na maior parte do dia, quase todos os dias, por duas semanas ou mais
IrritaçãoAcompanha uma noite mal dormida ou um dia cheioVira regra e afeta suas relações e o trabalho
DesânimoSome quando a rotina se acertaVem com perda de interesse pelo que antes dava prazer

Segundo o MedlinePlus, a depressão é mais do que se sentir triste ou irritado por alguns dias. Entre os sinais estão sensação de vazio, perda de interesse, mudanças no sono, cansaço forte, sentimentos de desesperança ou culpa e vontade de se isolar. Mudança de apetite também aparece na lista, e isso confunde quem está em GLP-1, já que o remédio diminui a fome. Por isso, olhe para o conjunto, não para um sinal isolado.

A ansiedade, pelo MedlinePlus, pode vir com pensamentos difíceis de controlar e sinais no corpo, como coração acelerado, tontura e falta de ar. Quando ela não passa e começa a fazer você evitar coisas do dia a dia, é hora de procurar ajuda.

O MedlinePlus reforça que vale buscar tratamento já nos primeiros sinais. Não precisa esperar ficar insuportável.

Como levar o assunto para a consulta

Falar de humor com o médico pode parecer estranho quando a consulta costuma girar em torno de peso e efeitos no estômago. Mas é parte do cuidado, e o médico precisa saber. Um registro simples, por uma ou duas semanas, ajuda a conversa a ser concreta:

  • Como estava o humor a cada dia, em uma ou duas palavras.
  • Como foi o sono na noite anterior.
  • Se comeu e bebeu o suficiente, mais ou menos.
  • Em que dia foi a aplicação, para ver se há algum padrão na semana.
  • O que mais aconteceu: estresse no trabalho, um conflito, uma notícia.

No endotrack, as aplicações ficam registradas com data e horário, e o relatório de uma página em PDF ajuda a levar esse histórico à consulta junto com as suas anotações.

Com quem mais dá para conversar

O médico que acompanha o tratamento é o primeiro passo, mas não o único. Ele pode indicar um psicólogo ou psiquiatra quando fizer sentido. Pelo SUS, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) também acolhem quem precisa de apoio em saúde mental.

Se surgirem pensamentos de se machucar, não espere. O Ministério da Saúde orienta ligar para o CVV no 188, de graça e a qualquer hora, ou buscar o SAMU 192, uma UPA ou o pronto-socorro.

Se você está pensando em mudar algo no tratamento por causa do humor, converse antes. A FDA orienta não interromper o remédio sem falar com o profissional de saúde, e qualquer ajuste é decisão sua com o seu médico. Para outros efeitos que pedem atenção, veja também o guia de efeitos colaterais além da náusea.

Cuidar da cabeça faz parte da jornada tanto quanto cuidar do corpo. Pedir ajuda é parte do tratamento, não um desvio dele.

Quando procurar o médico

Procure atendimento se tiver

  • Tristeza, vazio ou falta de interesse pelas coisas na maior parte do dia, quase todos os dias, por duas semanas ou mais.
  • Ansiedade que não passa, piora com o tempo ou faz você evitar atividades do dia a dia.
  • Qualquer mudança no humor ou no comportamento que seja nova, piore ou preocupe você ou quem convive com você.
  • Tremor, suor, nervosismo, irritação ou confusão que chegam de repente, principalmente se você também usa insulina ou sulfonilureia.
  • Pensamentos de se machucar ou de que a vida não vale a pena: procure ajuda na hora (CVV 188, SAMU 192 ou pronto-socorro).

Em caso de urgência, ligue para o SAMU 192.

Perguntas frequentes

Ozempic ou Mounjaro causam ansiedade?

As fichas do MedlinePlus sobre semaglutida e tirzepatida não listam ansiedade entre os efeitos colaterais. Ainda assim, cada pessoa reage de um jeito, e a rotina do tratamento pode pesar. Se a ansiedade surgiu ou piorou, conte ao seu médico.

O GLP-1 aumenta o risco de pensamentos suicidas?

Em janeiro de 2026, a FDA informou que a revisão dos estudos não identificou aumento desse risco e pediu a retirada do alerta das bulas americanas de Wegovy, Saxenda e Zepbound. A orientação continua: avise o profissional de saúde sobre depressão nova ou pior, pensamentos suicidas ou mudanças incomuns de humor.

Se meu humor mudou, devo interromper o tratamento?

Essa é uma decisão sua com o seu médico. A própria FDA orienta conversar com o profissional de saúde antes de interromper. Leve o que você tem sentido e desde quando, para decidirem juntos.

Referências

  1. FDA. FDA Requests Removal of Suicidal Behavior and Ideation Warning from GLP-1 RA Medications (13/01/2026)
  2. FDA. Update on FDA's ongoing evaluation of reports of suicidal thoughts or actions in patients taking GLP-1 RAs (11/01/2024)
  3. MedlinePlus. Depression
  4. MedlinePlus. Anxiety
  5. MedlinePlus. Healthy Sleep
  6. MedlinePlus. Hypoglycemia
  7. MedlinePlus. Semaglutide Injection
  8. MedlinePlus. Tirzepatide Injection
  9. Ministério da Saúde. Suicídio: prevenção
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